Arquivo de maio \30\UTC 2011

30
mai
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pressa

Observando as pessoas daqui, parece que é bom estar com pressa.

Com pressa, você não precisa ficar cumprimentando todo mundo na rua e na padaria. Não precisa dar bom dia quando passa pelo porteiro, e pode até passar um sinal vermelho de vez em quando. Aliás, não só de vez em quando, porque ter pressa aqui não é de vez em quando. Você está atrasado porque tinha trânsito, portanto o normal é ter pressa.

Já que está com pressa, aproveita e fura a fila que espera para entrar na próxima à direita, vindo por fora e entrando na frente de alguém que já esperou mais que você. Você não pode esperar, pois está com pressa.

Você pode furar fila, virar a esquina correndo, passar o sinal, buzinar, jogar o farol no carro da frente. Não precisa dar passagem para ninguém, nem parar para o pedestre. Você deve demonstrar sua pressa na maneira de conduzir o seu carrinho, vrrum, vrruum!

Pressa é um tempo, é um estado de espírito permanente.

Pressa é um motivo. Pressa é um recurso.

11
mai
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ser e parecer

A proteção que um capacete dá ao ciclista começa bem antes de ele bater a cabeça no chão.

Sabemos que na nossa sociedade não basta ser, é preciso também parecer. Sem notar como assim contribuem para alimentar o consumismo, as pessoas, muitas vezes inconscientemente, deixam de legitimar um papel social se ele não for verossímil conforme guarda-roupa, cenografia, maquiagem.

Ainda que você não contribua para esse jogo, lembre-se que ao pedalar pelas ruas de São Paulo sua vida muita vezes depende muito mais dos outros do que de você, portanto é bom levar isso em conta.

Quando você usa capacete, fica mais fácil para muitos motoristas perceber que você não está ali de brincadeira passeando para saborear o ar puro da cidade, que a bicicleta é o seu meio de transporte e que você não está ocupando parte do seu espaço à toa.

Percebendo isso, é bem provável que eles te tratem com um pouco mais de respeito. É impressionante, mas a diferença que isso faz é considerável. Bem antes de atuar no plano físico, o capacete tem também um valor simbólico e contribui para que o acidente não aconteça.

Pelo menos com relação a este aspecto, não precisa do enxoval completo de ciclista para ir trabalhar (use-o se você tem outros motivos para isso). Basta o capacete. É o suficiente para facilitar a aprendizagem do motorista no momento em que ele for te ultrapassar. Logo ali na frente vocês provavelmente vão se encontrar de novo, e você vai ultrapassá-lo. Já serão velhos conhecidos, talvez ele até te reconheça pela cor do seu capacete, e o reencontro vai reforçar a lição. Recordar é viver.




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